Será que ignoramos um milagre do xadrez porque ele não faz streaming?

“Ivanchuk invicto em 3 torneios, e vocês ainda estão assistindo Gotham explicar o Gambito da Rainha.” — @deadbishop
Nas últimas semanas, o Grande Mestre Vasyl Ivanchuk, de 56 anos, silenciosamente passou 27 partidas sem derrota em três eventos internacionais — Reykjavik, San Vicente e Menorca. São três torneios, três fusos horários e zero derrotas. Ele venceu jogadores com rating 2600. Empatou com jovens prodígios. Ganhou ELO suficiente para retornar ao Top 100 da FIDE pela primeira vez em anos. E quase ninguém notou.
As partidas não foram transmitidas. Não houve entrevistas pós-jogo, memes ou reações ao vivo. A maioria da mídia especializada em xadrez nem cobriu o feito.
Então temos que perguntar:É assim que um milagre se parece quando ninguém está olhando?
Aqui estão os fatos:
- O rating de Ivanchuk agora é 2656. Ele subiu 27 pontos em abril.
- Em San Vicente, ele marcou 8/9 em um torneio de rapid e derrotou Jaime Santos Latasa (2666) e Daniil Yuffa (2600).
- Em Menorca, ele segurou Edgar Mella, um dos jovens de 18 anos que mais cresce na Espanha.
- Ele jogou em dois formatos (clássico e rapid) e viajou vários milhares de quilômetros em menos de três semanas.
- Ele está, com base na lista de maio de 2025 da FIDE, superando vários profissionais em tempo integral com quase metade de sua idade.
Afinal, o que está acontecendo aqui?
Ivanchuk está “de volta”?
Defina “de volta”. Ele nunca desapareceu completamente — ele vem jogando esporadicamente por anos, apenas não em eventos que geram clipes e legendas. Mas esta sequência é diferente. Não foi construída contra adversários de segunda linha, e não foi um evento isolado. Ele agora está vencendo consistentemente contra grandes mestres legítimos.
Ele pode competir por algo?
Aqui é onde fica mais complicado. O sistema do Campeonato Mundial não é construído para sequências individuais. Ivanchuk nunca foi conhecido pela consistência, e o Candidates — o único caminho para o título — exige exatamente isso. Ele chegou perto uma vez, em 2013. Desde então, o formato só se tornou mais acirrado.
Ou será outra coisa?
Talvez o que estamos vendo não seja um retorno, mas um vislumbre de como é uma carreira no xadrez quando está desconectada dos ciclos da mídia e da visibilidade comercial. Sem Twitch. Sem narrativa de patrocínio. Apenas resultados.
E talvez essa seja a verdadeira história: o que acontece quando alguém atua em nível mundial fora dos holofotes. Isso teria acontecido se ele tivesse um canal no YouTube? Nos importaríamos mais?
Por enquanto, Ivanchuk continua jogando. Seu próximo evento é na Eslováquia. Ninguém está cobrindo. Ninguém está indo para lá. Mas se o mês passado for um indicativo, provavelmente deveríamos estar.