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Magnus Carlsen se afastou do xadrez clássico. Agora ele está fazendo speedrun de sua substituição.

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Fischer Random deveria nivelar o campo. Carlsen o achatou de qualquer jeito.

Magnus Carlsen certa vez descreveu sua decisão de deixar o xadrez clássico como uma questão de satisfação pessoal. Ele ainda estava vencendo. Só não estava se divertindo. Então ele se afastou. Recusou-se a defender seu título mundial. Começou a jogar padel. Jogou um pouco de pôquer. Fundou uma empresa de xadrez. Desenvolveu um gosto por controles de tempo mais rápidos e formatos mais soltos. Em suma: o prodígio se tornou um disruptor.

Agora, cerca de um ano depois, ele está casualmente desmontando o próprio jogo que ajudou a reimaginar.

No torneio Grenke Fischer Random desta semana em Karlsruhe, Carlsen venceu suas primeiras sete partidas consecutivas — uma pontuação perfeita, com um rating de desempenho (3356) tão alto que parece menos uma estatística e mais um pedido de socorro de seus oponentes. Ele derrotou Grandelius, Bacrot, Mikhalevski, Liem, Maghsoodloo e qualquer um que estivesse sentado do outro lado do tabuleiro com o lado errado da posição inicial aleatória. E fez isso com um senso de urgência que sugeria que ele talvez tivesse um trem para pegar.

Fischer Random — também conhecido como Chess960 — foi originalmente concebido por Bobby Fischer como uma rebelião contra a teoria, a preparação e o complexo industrial da memorização. As peças começam embaralhadas. Ninguém pode confiar em suas aberturas favoritas. Supõe-se que seja caos. Caos democrático.

Carlsen, infelizmente para todos os outros, prospera no caos.

Ele joga como se tivesse praticado em segredo. E vence com o tipo de distanciamento insolente que faz todos os outros parecerem que estão carregando o jogo em discagem discada.

Isso não é apenas vencer. É controle narrativo.

Ele deixou o xadrez clássico, diziam, para abrir espaço para novos campeões. Mas agora ele está de volta — não no formato antigo, mas em seu primo moderno e reformatado — e ainda assim dominando. Há uma certa elegância nisso. Há também algo levemente distópico, como quando o fundador de uma startup supera todos os usuários.

Anish Giri, sempre com a piada mais seca possível, resumiu melhor:

“Carlsen está cometendo o mesmo erro em seu novo jogo que no xadrez. Ele está jogando rápido demais.”

O que quer dizer: mesmo quando Magnus está reinventando o xadrez, ele não consegue resistir a fazer speedrun.

O resto do campo está um ponto inteiro ou mais atrás. O torneio não acabou, mas o subtexto sim. Carlsen não está apenas de volta. Ele ainda é melhor. E está fazendo isso em um formato projetado para evitar exatamente esse resultado.

A revolução foi randomizada. Magnus ainda ficou com as brancas.

Nota do Editor: World Chess lançará um projeto de mídia dedicado ainda este ano. Até lá, publicaremos despachos ocasionais aqui — das linhas de frente do xadrez, do absurdo e de tudo mais.