Lincoln ficou em Moscou. Warhol levou a parede.

Em 2016, compramos um retrato de Lincoln. Era para a sala VIP da partida do Campeonato Mundial de Xadrez em Nova York — o mesmo prédio onde, a algumas salas de distância, improvisamos um bar em um corredor de serviço e convencemos Woody Harrelson, Peter Thiel e vários embaixadores a beber lá por duas semanas. O Lincoln fazia parte de uma teoria mais ampla que estávamos testando na época: que o xadrez, para ser levado a sério, precisava ter uma aparência. Um esporte com um código visual. Uma sala com uma parede que valesse a pena ficar na frente.
Lincoln fez seu trabalho. Tiramos muitas fotos de pessoas na frente dele — jogadores, patrocinadores, pessoas que entraram sem saber por que ainda estavam lá. Depois ele viajou conosco para Moscou e continuou fazendo isso por anos. Políticos russos, aristocratas noruegueses, editores de moda que recentemente começaram a ter aulas de xadrez. Lincoln era paciente. Posou com todos eles.

Quando a guerra na Ucrânia começou, a World Chess fechou suas operações na Rússia e mudou a equipe para a Europa. A maioria das coisas fez a viagem. O Lincoln não — não tivemos tempo de solicitar autorização para transportar uma obra de arte para fora do país. Ele está, por enquanto, ainda em Moscou, presumivelmente observando a sala ficar quieta.
Hoje, uma fotografia vintage de Andy Warhol chegou ao nosso escritório. A proposta é a mesma de uma década atrás. Pessoas do xadrez vão posar na frente dele, e as fotos ficarão melhores do que seriam de outra forma. A parede faz o trabalho que o jogador nem sempre pode fazer.

Lincoln ocupou o posto por nove anos. Warhol assume a partir daqui. O número, aliás, não mudou se você quiser aparecer!