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Rússia, a Superpotência Mundial do Xadrez, Suspensa pela FIDE por Realizar Eventos na Ucrânia

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O impensável aconteceu: a FIDE foi forçada a agir.

Pela primeira vez na história moderna do xadrez, a federação que representa a nação mais dominante do xadrez mundial — tanto sobre o tabuleiro quanto fora dele — foi suspensa pela FIDE.

Na noite de quarta-feira, a Federação Internacional de Xadrez (FIDE) anunciou a suspensão temporária da Federação de Xadrez da Rússia (CFR) após não cumprir uma decisão do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) que exigia que cessasse a organização de atividades de xadrez nos territórios ucranianos ocupados.

A decisão marca o culminar de uma batalha legal que se tornou um para-raios político no xadrez desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Em março, o CAS decidiu que a CFR violou as regras de integridade territorial da FIDE ao incorporar e administrar organizações de xadrez em regiões ocupadas da Ucrânia. O tribunal ordenou que a Rússia parasse de organizar atividades de xadrez lá em 90 dias, sob pena de suspensão de até três anos.

Esse prazo expirou em 9 de junho.

No próprio dia, a FIDE reconheceu que o prazo se aproximava e havia agendado uma reunião do Conselho para 17 de junho para determinar se a Rússia havia cumprido. Mas os eventos se moveram muito mais rápido do que o esperado. Mas a FIDE não podia esperar uma semana. Dentro de 24 horas, no final de 10 de junho, o Conselho da FIDE realizou uma reunião de emergência, via WhatsApp, e concluiu que os requisitos do CAS não haviam sido cumpridos dentro do prazo estipulado. Uma suspensão automática seguiu-se imediatamente.

Isso Mudará Alguma Coisa?

O significado da decisão é difícil de avaliar.

A Rússia não é apenas mais uma federação de xadrez. É a superpotência histórica do jogo, lar de gerações de campeões mundiais, dos GMs Mikhail Botvinnik e Garry Kasparov a Vladimir Kramnik e Ian Nepomniachtchi. Jogadores soviéticos e russos dominaram o xadrez de elite durante grande parte do século passado. No entanto, apesar desse legado, a FIDE se viu com pouca margem de manobra.

Mas será que a Rússia interromperá as atividades que lhe custaram seu lugar no topo da mesa do xadrez? Provavelmente não. Os torneios na Ucrânia continuarão, talvez com ainda menos restrições. O presidente da FIDE, o ex-vice-primeiro-ministro da Rússia Arkady Dvorkovich, permanece no cargo no ano eleitoral da FIDE.

Como a União Europeia de Xadrez afirmou categoricamente no dia da decisão, a FIDE não tinha "alternativa senão implementar a decisão do CAS."

A suspensão em si, no entanto, pode ser apenas o início de uma nova controvérsia.

Horas após o anúncio, críticos acusaram a administração do presidente da FIDE, Arkady Dvorkovich, de tentar suavizar as consequências práticas da sanção.

Entre os mais veementes estava George Mastrokoukos, ex-funcionário da FIDE e da União Europeia de Xadrez, que argumentou que a FIDE estava tentando criar "brechas" legais que preservariam benefícios para a Rússia apesar da suspensão.

Suas críticas focaram em dois pontos.

Primeiro, ele observou que o Artigo 13.6 do Estatuto da FIDE afirma que uma federação suspensa perde seus direitos e que seus oficiais e seleções nacionais não podem participar de atividades da FIDE. No entanto, a resolução da FIDE sugeriu simultaneamente que equipes compostas por cidadãos russos poderiam continuar participando sob bandeira neutra, sujeitas a futuras decisões do Conselho.

Segundo, Mastrokoukos argumentou que a decisão da FIDE de submeter a questão a uma futura votação na Assembleia Geral parecia inconsistente com a natureza supostamente final e vinculante da decisão do CAS. Em sua opinião, uma vez que o CAS havia decidido e o prazo de conformidade havia expirado, não havia mais nada para os delegados aprovarem.

A acusação mais ampla era familiar: a liderança da FIDE permanece relutante em impor todas as consequências das sanções ao xadrez russo e continua buscando maneiras de acomodar a participação russa sempre que possível.

A FIDE, por sua vez, defendeu sua abordagem enfatizando os direitos dos jogadores individuais e citando políticas anteriores que permitiam participação neutra em linha com as recomendações do Comitê Olímpico Internacional. A organização afirma que continua comprometida tanto em implementar decisões judiciais quanto em proteger jogadores que não são pessoalmente responsáveis pelas políticas das federações.

Esse ato de equilíbrio provavelmente enfrentará mais escrutínio nos próximos meses.

Para a Ucrânia, no entanto, a decisão já representa uma grande vitória.

O caso original foi movido pela Federação Ucraniana de Xadrez, apoiada por figuras proeminentes como o GM Peter Heine Nielsen e o GM Andrii Baryshpolets, o ucraniano que concorreu à presidência da FIDE em 2022. Seu desafio convenceu o CAS de que as sanções anteriores da FIDE contra a Rússia haviam sido insuficientes e que medidas mais fortes eram necessárias.

Agora, pela primeira vez, essas medidas foram aplicadas.

Se a suspensão permanecerá temporária, se desenvolverá em uma exclusão mais longa ou provocará outra rodada de desafios legais pode se tornar a história da temporada eleitoral da FIDE em 2026.

Por enquanto, porém, um fato notável permanece:

A federação que representa a maior potência do xadrez na história foi suspensa do xadrez mundial. Ela perde seu voto na próxima Assembleia Geral da FIDE e na eleição para presidente da FIDE, e está, pelo menos hoje, diminuída.

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